A Síndrome Coronariana Aguda (SCA) é o tipo de notícia que ninguém quer receber. Quando o fluxo de sangue que irriga o coração é interrompido repentinamente, o resultado pode ser devastador: dor torácica intensa, angina instável, infarto e, em muitos casos, morte súbita. E o mais alarmante? Em grande parte das vezes, ela poderia ter sido evitada.
Apesar dos avanços da medicina e da tecnologia diagnóstica, a SCA continua sendo uma das maiores causas de morte no Brasil e no mundo. Segundo um novo estudo conduzido por um dos maiores institutos cardiológicos públicos do país, envolvendo mais de 5.500 pacientes, o retrato da realidade brasileira é claro: estamos enfrentando uma epidemia silenciosa.
Um retrato nacional da SCA
O estudo, realizado entre 2018 e 2022, revelou dados impactantes:
- 80% dos pacientes com SCA tinham hipertensão;
- Mais de 70% estavam com sobrepeso ou obesidade;
- Quase 60% já tinham histórico de doença arterial coronariana (DAC);
- Mais de 50% eram diabéticos, muitos sem sequer saberem;
- Em apenas 30 dias após a alta, quase 8% apresentaram novo infarto ou reinfarto, e mais de 2% foram a óbito.
Esses números não são apenas estatísticas: são vidas interrompidas, famílias afetadas e um sistema de saúde sobrecarregado por doenças que, em muitos casos, podem ser prevenidas.

Por que ainda estamos perdendo essa batalha?
Há uma combinação perigosa em curso: má alimentação, sedentarismo, tabagismo, inércia terapêutica (quando não se ajusta ou inicia o tratamento de forma adequada) e baixa adesão aos medicamentos prescritos. O estudo revela, por exemplo, que um número significativo de pacientes simplesmente não segue corretamente o tratamento após um evento cardíaco, mesmo tendo sobrevivido a um infarto.
Além disso, embora os escores de risco como GRACE, TIMI e HEART ainda sejam ferramentas úteis, eles não têm sido suficientes sozinhos para identificar com precisão quem está realmente em maior risco. Isso mostra que precisamos ir além dos números – precisamos olhar para o paciente como um todo.
A medicina precisa agir, mas a prevenção começa em casa
A boa notícia é que quase todos os fatores de risco da SCA são modificáveis. Pressão alta, colesterol elevado, diabetes mal controlado, excesso de peso, sedentarismo, fumo: tudo isso pode ser prevenido ou tratado com mudanças simples (embora desafiadoras) no estilo de vida.
- Pratique pelo menos 150 minutos de atividade física por semana.
- Mantenha uma alimentação equilibrada, com menos ultraprocessados e mais alimentos naturais.
- Monitore sua pressão arterial, glicemia e colesterol com regularidade.
- E, se você tem histórico familiar ou já sofreu um evento cardíaco, não negligencie sua medicação.

Mas não podemos depositar toda a responsabilidade no indivíduo. Precisamos de políticas públicas mais eficazes, que comecem pela atenção primária à saúde e passem por campanhas de prevenção contínuas, capacitação de profissionais e acesso facilitado a exames e tratamentos.
E o que vem agora? A ciência continua avançando
Estudos como esse mostram o quanto ainda precisamos evoluir no entendimento da SCA, principalmente no Brasil, onde os registros nacionais ainda são escassos e muitas vezes desatualizados. A última grande base de dados havia sido publicada em 2013. Agora, com este novo levantamento, temos informações mais robustas, incluindo o uso da troponina ultrassensível, um marcador essencial para o diagnóstico mais precoce do infarto.
Participe do estudo clínico da Bioserv
A Bioserv Life Sciences está conduzindo um novo estudo clínico sobre Síndrome Coronariana Aguda. Nosso objetivo é aprofundar a compreensão sobre os fatores de risco, diagnóstico e evolução da SCA na população brasileira – e desenvolver estratégias mais eficazes de prevenção e tratamento.
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